desConstituição portuguesa — Exposição


A desConstituição dos riscos

Em 1982, aquando da primeira revisão da Constituição Portuguesa de 1976, Carlos Oliveira Santos iniciou este seu processo de poesia experimental com base em riscos das páginas da edição do texto constitucional feita pela Imprensa Nacional, em 76. 

Com distantes referências, nomeadamente, às colagens modernistas, aos cadavres exquis surrealistas ou às criações dos Letristas dos anos 40/50, aquele processo apresentou-se, contudo, ao autor, como uma forma original: riscavam-se palavras, escolhiam-se outras e recriavam-se em textos poéticos-anti-poéticos, ora distópicos, ora utópicos. 

Esses riscos foram-se acumulando, mas, entretanto, o autor decidiu aplicar o mesmo processo a textos de imprensa e publicou-os, em 2000/2001, semanalmente, no suplemento DNa, do Diário de Notícias, acabando por serem editados em livro, em 2006, com o título Palavras Somos Nós [um verso de poema de Gastão Cruz]. 

Com a chegada dos 50 anos da Constituição de 1976, surgem então, em livro, os seus riscos originais, em desConstituição portuguesa [uma edição da Flan de Tal, Vila do Conde]. Graças à divulgação permitida pela Internet, o autor veio a conhecer, já no presente século, experiências semelhantes, pelo mundo fora, designadas de found poetry ou de blackout poetry, também resultantes de intervenções/utilizações de textos alheios.

Enfim, uma forma criativa de inventar/re-inventar a criação poética, por um lado, bem como uma forma de reflectir, de forma crítica, sobre a própria sociedade portuguesa e a maneira como se tem constituído.

INAUGURAÇÃO

Quarta-feira. 10 de Junho, 17h00

Centro de Memória